quinta-feira, agosto 27, 2009

CARUSMA


Intrépidos são os pícaros da colina onde, apenas, os sentidos cautos e puros chegam.
O denodo do fardo, por mais pesado que seja, deve erguer-se na pessoa como um hino com ânsia de alcançar glória: libertando, assim, as amarras ao pensamento do Ser (razão), colocando a nu sentimentos (emoção).
Só um Ser livre, na totalidade das suas acções, pode Sentir.
O verdadeiro sentir abre fendas, trepida por momentos mas mostra-se hialino. A verdade do sentir, do nobre e sublime ser, exige sapiência e ardor pois a verdade carece sempre de provação (de limar as arestas dos sentidos como um artesão da perfeição), nunca de indigência.
Tu que não temes subir a íngreme montanha que te conduz ao celeste ser e irradias a harmonia do teu vital existir, procura com o teu escudo, herdeiro de Ulisses, defender-te do que te atinge como fogo incontrolável que nem a beleza da carusma deixa antever: desejos.
O desejo não tem carusma, é fogo sem controlo, planície devastada pela insanidade dos sentidos incautos, exército ao abandono, conformidade entregue à Sorte: fim.

Inauditos são os sentimentos maiores que sublimam o Ser e elevam o sentir: Carusma, beleza sem par. Jamais serão extintos, todos os sentimentos verdadeiros, porque têm raízes: une-se a emoção à razão.

2 Comments:

Blogger bono_poetry said...

sim e uma meia verdade de facto,seremos sem duvida melhores e mais intensos juntando a razao a emocao,mas ainda falta o tempo e o espaco em que se encontram,nao serao permissivos?

10:31 da manhã  
Anonymous entremares said...

Sim, o verdadeiro sentir abre fendas. Mas transforma-nos, solda feridas na exacta proporção em que nos fere de novo.
Somos bichos mutantes, porque só mudando se pode sentir.

Senão, tudo seria sempre passado, o presente seria uma ilusão e nem sonharíamos o futuro.

Pelo menos, assim creio.

Um óptimo fim de semana para ti...

12:31 da tarde  

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