quinta-feira, março 11, 2010

O Náufrago

“Não é necessário vivermos ao lado de alguém para nos sentirmos ligados a esse alguém mais do que a qualquer outra pessoa.” O Náufrago, Bernard Thomas

As mãos arrepiadas de pranto. Tantos mundos nas mãos de quem se sente naufragar. Tantos gritos e tão mudos que a água inunda a boca quando o coração impede de falar.
Gritos espelhados nas águas gélidas de uma corrente em contra–mão: sentimentos indigentes onde vive a Ilusão.
Um náufrago preso nas teias da Ilusão apenas pode soltar as mãos, anunciando a dor que sente mas às vezes é maior a força da corrente que a força que o náufrago sente.
Quem? Diz-me um nome.
Um apenas. Um nome entre muitos. Mesmo entre nomes que desconheças.
Ou mesmo os nomes que se esqueceram de ti.
Diz-me quem te ensinou a amar se nem as duas mãos consegues erguer ao mundo e mostrar, talvez como um coração despido que se ergue aos céus como um hino de Amor nas mãos do Vento; talvez como o sorriso de criança ao pé de um brinquedo desfeito… Talvez como quem espera um momento.
Ensina a voz que as tuas mãos pedem. Retira-as dessa água da Ilusão. Salva-te ou condena-te. Este agora que urge e reclama liberdade não é mais um apelo de Saudade é um eco, sôfrego e pálido, na ânsia de vida.
Solta uma mão apenas. Desata os nós que te prendem à Ilusão, não queiras a indigência do sentir.”

Acordara num espaço estranho, não sabia um nome. Não podia inaugurar um nome que o tivesse amado. Um nome verdadeiro. Um nome que só aqueles que amam sem iludir vestem.
Naquela manhã, naquela metade de dia, sabia que podia continuar a viver como um náufrago resgatado por alguém daquelas manhãs submersas onde apenas mora a Ilusão.
Quem? Quem o salvou? Procurar o nome. Procurar um nome apenas: pode ser o começo de alguém. Pode ser o começo de nós.

2 Comments:

Blogger Oculto said...

Um nome é o inicio, um começo que prolonga o tempo e preenche o espaço vazio.

As tuas palavras tocam
sinto e
flutuo...

beijo grande

10:56 da manhã  
Blogger Oculto said...

Este comentário foi removido pelo autor.

10:56 da manhã  

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