domingo, janeiro 24, 2010

BAGAS DE TEIXO


"Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. Somente através do amor e das amizades é que podemos criar a ilusão, durante um momento, de que não estamos sozinhos." Publio Marón Virgílio

O poeta deslocou a retina até ao coração. Isolou o mundo no seu mundo. Puxou a imagem que trazia, há muito tempo, guardada no sentimento, como quem puxa um cordel e nas artérias do coração inaugurou novos meios de caminhar: escreve dias infinitos, dias que o Tempo não toca.
Dizem que tem a retina deslocada e no mundo vê desleixo, ameixas verdes e charcos de lodo. Mas isso é o que os outros, apenas, dizem: os que não têm lugar no coração para a retina. Os que têm vazio imenso como morada.
Que importa que os dias dos outros não sejam como os do poeta – há frutos de diferentes tamanhos e texturas. Há imensas florestas, infinitos sabores que os sentidos encetam.
O poeta deslocou a retina até ao coração e soube saborear a beleza das bagas de Teixo enquanto os outros não lhes vêem sabor, apenas beleza.
Os frutos tóxicos só a retina do coração pode saborear.

2 Comments:

Blogger Wanderley Elian Lima said...

Olá
Cada um tem o seu mode de perceber e sentir a vida.
Beijos

8:25 da tarde  
Blogger Teresa Calcao said...

Obrigada querida pelo beijinho que deixaste para mim no blog da Anita...
E que nunca te sintas so!!!!
Beijinhos com muitas saudades

9:33 da tarde  

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