sábado, novembro 07, 2009

Enigmas do Sepulcro


“Tudo isto tem significado para o teu presente.” Vergílio Ferreira, in 'Escrever”

No silêncio te amo. Sei-te de cor mas já não te vejo. Perdi-te. Sem te saber tão magoado arruinei-te e, tu, meu Templo de Jerusalém, desmoronaste cada esquina que tanto amei e amo porque te sei.
Não te vejo e dói.
Frio.
Infinito.
Amargo.
O sentimento que hoje dança com a dor nos braços: frio, infinito e amargo.
Quem sou para te desmoronar?
Quem sou?
“Nada fiz para te magoar.” – Diz a voz da defesa.
“Quem és tu para saber o que vai dentro de mim? Só eu sei o que me fizeste doer, em mim, ou não.” – Diz a voz sob a penúltima pedra cadente.
No silêncio te amo. Neste silêncio sepulto tudo o que amo porque aqui estarão todos os tesouros que um dia levarei comigo e na solidão eterna serei, talvez, uma metade de amor: a metade que ficou por viver.

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