terça-feira, fevereiro 17, 2009

ATALHOS DE DOR E AMOR

Quando nos metemos nos trilhos da vida: perdemo-nos em nós – perde-se a voz, morre o rosto; cresce o desgosto. Vasculhamos o dentro e o fora: vazio – nada achamos que nos preencha. Enrosca-se em nós a Vida: voltamos à posição fetal – saudade do Ser. Uma gota vem do oceano – fica no coração – lenta e serena - até que a noite aconteça e o frio invada o que restou de um nós solitário e oco. Pinturas sem Alma. Retratos de dor: ilusões vãs, basalto lascado.
Dobro-me como um corpo perdido nas ameias da emoção: deixo falar o destino. Aprendo Sentidos novos: jamais nos devemos meter por trilhos na ânsia de encontrar o Caminho. Vil ilusão! O Caminho não existe. Por mais contornos que o Homem seja: tudo é pura ilusão. Enganam-se emoções na esteira do que prende: uma palavra, uma frase – simples amontoado de letras. Pedras de uma calçada demasiado gasta que, o Ser a que tudo se entrega, teima em pisar: sem nunca a paz encontrar. Avança a dor: o medo do escuro. Abandono: puro abandono. Lenta e amarga solidão.

Dois passos de dança errante. No chão a capa do amante. Um amontoado de sentidos dispersos. Sorte sem autor.

Deito os meus braços fora dos braços do Anjo que me guia: só quero silêncio. Não quero mais prazer: quero viver. Quero Ser: em vida tudo o que a minha Alma quiser Ser. Ainda que para isso tenha mil vezes de morrer. Que eu morra e que já sem vida desfaleça outro Ser que viva, ainda, em mim. Que cesse a chuva. Que o fogo queime tudo o que me assombra. E que das cinzas desse fogo nasça ouro escondido em mim. Porque de prazeres não se alimenta uma Alma: no sofrer ponho um fim. Vai. Corre. Anuncia. Diz a todos: abandonou-te o Anjo. Não queres mais ser assim. Uma Alma perdida é isso mesmo: abandono, rejeição. Mas, a mesma Alma que rejeitas jamais sairá do teu coração porque uma Alma perdida depois de habitar um Ser nele gosta de se demorar. Por isso a Morte teima em a vir buscar. Não te resignes: saibas aceitar. Uma Alma perdida é um pedaço de mar. Muitos a podem Sentir, poucos a saberão degustar.

2 Comments:

Anonymous entremares said...

Não, não e não.
O caminho é a unica coisa que vale a pena.
O prazer nunca esteve no destino, simplesmente na viagem...

10:00 da tarde  
Blogger Palavras de Osho said...

O mais belo momento da vida de uma pessoa é quando não há nem confusão nem certeza. Ela simplesmente é. Um espelho refletindo aquilo que é, sem nenhuma direção, indo para lugar algum, sem ideia de fazer algo, sem nenhum futuro, só absolutamente no presente, intensamente no presente.

Osho, em "Faça o Seu Coração Vibrar"

11:29 da tarde  

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