domingo, dezembro 04, 2011

Da emersão e da Submersão

“Estão Todas as Verdades à Espera em Todas as Coisas” Walt Whitman


Para ti, Madrinha, como se dissesse gestos que a voz cala.


No fundo do mar vivem humanos. Todas as baleias com arpões às costas são agora transeuntes nas ruas das cidades e das aldeias que tendem a desaparecer. Tudo tem uma razão de não ser. Tudo depende de um ponto não visto.
Nas vielas mais estreitas cabe o sentido de uma vida, sem que a mesma tenha decorrido e esteja o mundo a (des) acontecer.
Há arpões nos pedaços que restam de corpos usados. Desprazer. O que inundou este Sol? Quem de chuva cobriu tantos rostos?
Todos os dias que o tempo leva de ti, um a um, com a lentidão agressiva e inóspita, como um filho retirado do ventre da mãe, a Lua esconde palavras, as palavras, que o teu coração calou.
Diz-me Lua como podes ser cúmplice de gestos tacanhos? Como podes esconder erros tamanhos? Diz-me porque todas as perguntas que ecoam em mim, não se traduzem em gritos? Dizes-me, Lua, se um dia o Sol será capaz de derreter arpões; diz-me se esse Sol escondido pode ser iludido pela pauta da música, guardada em quatro pedaços, amarelos e gastos, no bolso das baleias que habitam o topo de montanhas sem verde; montanhas lacrimejantes. Dizes-me?
Dizes-me porque o mundo se tornou avesso?
Quero saber porque existem montanhas lacrimejantes; porque vivem, os humanos, agora, no fundo de um mar estranho, escuro e sem bivalves mas exijo saber porque todas as baleias com arpões às costas são agora transeuntes nas ruas das cidades e das aldeias que tendem a desaparecer.
Tudo tem uma razão de não ser? Tudo depende de um ponto não visto?

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