domingo, fevereiro 24, 2013

Dicionário das Imortalidades.

(Beijo E. Munch)


Enfiada numa cloaca, qual monge pintor.

Invoco-te Lazzaro.

Na margem, da margem, pela margem – foi assim que um dia vivi, na margem do outro, dos outros. O Amor sempre como resposta, nas margens do que, eu, mesma, não vivi.

Qual imperador que comanda a vida? Qual o rio onde posso naufragar?

Por vezes, são tao precisos os naufrágios, como barcos que derivam, na imparidade do não ser mais do que margem.

Escolho o rio Tibre – sempre o três como auxiliar da resposta. E nessa cloaca de servidão que leva as escaras para o mar Tirreno, ali se faça o naufrágio. Por vezes um naufrágio salva – na outra margem. Margem do que existe e margem do que não existe.

O Amor sempre como resposta.

Margem do que existe e margem do que não existe.

Queimam-me, ainda, as mãos – tão fortes, na inclinação do Amor, como resposta.

A vida como um palco, um pano cai e a noite finda. Qual teatro de amadores, na tentativa oca de mais uma palavra Imortal. Quisera eu ter Deus, sempre dentro e no dicionário das Imortalidades, definir-te (ainda de mãos queimadas) a Palavra: Amor.

“Dicionário das Imortalidades.” de Sandra Maria Ferreira

1 Comments:

Blogger Wanderley Elian Lima said...

Poema trágico, como deve ser trágica a vida de quem vive à margem.
Boa semana
Bjux

1:01 da tarde  

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