quarta-feira, abril 06, 2016

A Metade de um Anjo

A Metade de um Anjo dorme nos meus braços
e a outra Metade fez-se mar em mim.
Olho o Sol, pela meia janela, e pergunto-me se
o Sol brilha para mim.
Fecho os olhos e não durmo, não enquanto se segura
um Anjo no colo, aguento-me no Tempo como
quem busca artérias para Ser.
A Metade de um Anjo dorme nos braços: nunca
um Anjo perfeito dormiu assim.
Ainda buscarei nas orlas do mar, afastando da barca
de Caronte, a outra metade de Anjo. Afogadas as mágoas
regressarei de um Sol qualquer para Ser mais.

De Sandra Maria Ferreira

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