domingo, novembro 09, 2008

OS CARDOS


“A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace”.
Victor Hugo

Há cicatrizes que não te servem mas que o teu olhar abre no Ser do outro como fendas de uma qualquer intempérie onde só habita a dor. Na pintura sagrada da Alma procuras sonhos perdidos como se morasses numa região árida e sequiosa de sabor… Vives cada gesto como quem sorve uma gota de prazer. Entregas-te nas mãos das nuvens que moram no Bem- Querer. Quem te disse que a água que o mar leva não são lágrimas de quem pede aos deuses para te ter? Findam os dias e com ele vão esconder-se na floresta imensa dos sentidos as brumas das Saudades de te ver. Já repousa o Sol abraçado à Lua e as Estrelas aparecem como fios no horizonte daquele que não te poderá nunca esquecer. És um Anjo de asa partida a quem a Vida não soube proteger. És a Luz na artéria de um pássaro ferido que espera o teu toque para sem medo adormecer.

Acredites que quem embala os Sonhos como Rosas apesar de aos olhos dos outros, apenas Cardos possam Ser, nunca das linhas dos deuses poderão algum dia desaparecer. São os Cardos que dão Sabor aos lugares ausentes e aos rostos sem nome que vagueiam na Noite e no mar se vão perder… Apenas pela Saudade, que transforma as lágrimas em mar pelo que não se pode ter… Mas, nas mãos do poeta, no Coração do Criador, na cartola do Mágico ou na espada do Guerreiro as lágrimas em Cristais se podem um dia, converter…

1 Comments:

Blogger Felipe Fanuel said...

Sempre me intrigou a idéia de metapoema. Quem é o poeta para dizer o que é a sua poesia? Não tem a poesia vida própria? Pergunto isso porque se há a possibilidade de um "meta", esta possibilidade está na vida.

Viver é refletir sobre o próprio ato de viver. E, desculpe-me, Sandra, mas não posso ler a segunda pessoa aqui senão como o teu "eu". Tu falas para e sobre ti mesma. Escreves uma "metavida".

A chave hermenêutica de teu blog és tu. O lirismo não está apenas na essência, mas na existência de uma pessoa que o substancializa através de sua pena.

Há muito que tudo o que leio aqui deixou de ser leitura de um texto bonito para ser encontro e assombro. Afinal, o subjetivismo mora nas profundezas universais de cada alma, no núcleo comum que une a humanidade em uma raça alienada de si mesma.

11:36 da manhã  

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