sábado, novembro 01, 2008

OUTONO NO PARAÍSO


Aos que a Vida leva para a margem dos Sentidos,

Quantas folhas repousam já no Outono do Paraíso, disformes e sem rosto vagueiam nas mãos da Memória. São alguém nos caminhos da ilusão só porque lhes foi concedido o vazio, o frio descanso na morada do Tempo Eterno. E, choram os amantes sem demora enquanto o violino das emoções solta gritos, famintos gemidos onde habita a saudade. Saudade do que poderia ter tido lugar mas essa linha descosida que tens na palma da mão nunca deixou. Espadas de dois gumes, inertes palavras sem som, quanto sangue derramado sem que soubesses o valor desse sentimento maior, sem que conhecesses a palavra Amor. Já no túmulo onde repousam corpos que outrora sentiram ou julgaram sentir… Viveram ou julgaram viver… Quantos lírios passaram por essa pedra que cobre o teu Ser mas que nunca chegaram até ti para que os pudesses conhecer. É a dor, folha solta do que ficou por viver. Amargura que nunca aprisionou o teu Ser ao Sentir… Por isso, vagueias sem par, Alma errante pelo mundo. Esperas o repouso final alcançar. Mas, quem nunca na Alma teve Paz, quem nunca soube descalço caminhar, jamais saberá descansar. Os anos passam, nessa morada onde o Tempo é rei e as folhas se multiplicam e voam até que um dia, um minuto ou um segundo delas te possas enamorar, eterno Viajante do Universo…

Que um dia possas dizer que no Outono do Paraíso encontraste o que a Vida nunca te quis oferecer. Que acompanhes a deusa do Violino, que do Som que deste instrumento ecoa haja quem veja um Hino do Sentir e que na tua própria sepultura nunca cessem as folhas de te acompanhar porque essa deusa do violino espera na Morte o deus encontrar… Aquele que a Vida não lhe soube dar…

2 Comments:

Blogger Felipe Fanuel said...

Feiticeira das Almas,

Ao Som da deusa do Violino, eis me aqui para, desesperado, levar a Vida às margens dos Sentidos. Ainda é Primavera, mas ainda não superei a Saudade do Outono. Os estragos que a Queda de Folhas provocaram nem começaram a ser curados — nem sei se o serão. Aquilo que chamas de Paraíso só o conheço assim quando ouço a agressividade das notas musicais aqui executadas. Não sei se sou um apaixonado pela vida, como tu... Afinal, ser errante tem lá o seu preço. Dor e Amargura não são só palavras escritas. Entendo. Tirar os sapatos, tu insistes. No entanto, confesso, o chão é muito frio, o Hino do Sentir tem cheiro de morte e, para terminar, eu me esqueci de que um dia terei uma sepultura.

Acaso tens encanto para fugir da realidade?

4:29 da tarde  
Blogger Véu de Maya said...

Tanta metáfora! tantas linhas sibilinas...quantas procuras no Universo dos sentires, ondes voas como uma avezinha fágil...Uma incerteza que te coloca constantemente na vertigem do absoluto de que se alimenta a tua bela escrita...dos sentidos e dos sentires.

ternura pra ti.

2:10 da tarde  

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