terça-feira, novembro 04, 2008

VALSA DA LUA

"Fecharia os olhos sob os anéis dos astros e entre os violinos e os fortes poços da noite, descobriria a ardente ideia da minha vida."
Herberto Helder

Aos que nas mãos da voz percorrem um caminho,

Quando te perguntarem por mim, ávidos por saber quem sou ou pela simples fome de Sentidos, não temas dizer que habito na voz do Vento, sou filha dos sete mares. Lágrima de cristal perdida nos teus quebrantos... Pétala de marfim ou singelo laço de cetim... Sou simplesmente uma pena sem norte que à Aurora vem buscar o aroma do Jasmim. Serei parente das Ilusões. Herdeira do Pecado ou Escrava acorrentada nas frias mãos do Fado. Eterna Princesa de olhar apaixonado ou dirás antes, de olhar vendado? Metáfora de Amor, nos cadernos que o Vento dita. Serei talvez uma bailarina que rodopia sem parar. Simples imagem sem rosto que de vermelho pintou o desgosto, tatuando com maldição na pele o verbo mais doloroso mas também o mais saboroso, Amar. Serei Mulher de encantos para uns, feiticeira de olhares perniciosos para outros...
Mas, saibas que quando dança a Bailarina que traja de vermelho o seu Ser, de costas para a Vida, rodopiando sem parar, enceta um ritual de pura Magia que poucos sabem alcançar. As mãos erguem-se aos céus, na vã esperança do seu par encontrar. E, todos os que com ela se cruzam jamais o negro voltarão a trajar. Porque cada vez que ela dança a Valsa da Lua, um Anjo no céu o sono alcança e de azul pinta os mares e os céus que te permitem Sonhar...

3 Comments:

Blogger Felipe Fanuel said...

Ou seja, Tu não existes.

A propósito, onde habita a filha dos sete mares senão nas recônditas águas das Ilusões inalcançáveis a pobres mortais? Qual não é o segredo da Sereia senão seu próprio mistério de ser-e-não-ser? Não são vós, Bailarinas da Valsa da Lua, habitantes do Éden, o Jardim de Delícias, de onde aqueles que "caíram", passando da essência à existência, foram expulsos?

9:05 da tarde  
Blogger Entre "aspas" said...

Na vida somos sombras da ilusão,escravas da vida de uma vida sem rosto.
Bjs Zita

1:07 da tarde  
Blogger Véu de Maya said...

Todo o jogo de contradições da vida que podes aureolar na tua escrita múltipla e bela de sentires e de seentidos..
.Subsiste no entanto o mistério de ti própria que, oracularmente, te passa ao lado...o que não deixa de enriquecer tua virginal escrita.
Num tempo tão vertiginoso em que o que acima de tudo se deseja é deitar o véu fora...em cada véu que desvelas colocas outro a ser desvelado...mas a verdadeira medida da tua escrita terá de passa textos mais longos...

ternura pra ti

7:14 da tarde  

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