terça-feira, abril 13, 2010

SOL ETERNO NO MAR

“Como se fosse possível matar o tempo sem ferir a eternidade.”
Henry David Thoreau

Quem pendurou a Lua no céu? Quem colocou as flores em água? Quem?
Terão sido as mesmas mãos que cavaram uma sepultura?
Ninguém sabe e a esta hora o poeta dorme. Deixem-no repousar: à noite o mar não se vê. E ninguém acredita que haja uma nuvem sobre a taça que ofertaste, um dia, a alguém (que tornaste imortal), embrulhada numa folha de Outono que o mesmo mar que à noite não vês te ofereceu. Como quem oferece o que de melhor há em si.
Amanhã fixa os olhos no Sol, sem medo. Levanta-te cedo. Bem cedo. O mar que ontem não viste: está lá. Sempre esteve.
Hoje dorme de olhos abertos e voltados para o Céu, como Endíminon, e talvez Selene faça parar a noite e se encante com um olhar teu. Talvez.
Talvez o mar não tenha ondas e me possas avistar: sou uma simples folha de Outono, imperfeita, que navega em amplo mar – onde o silêncio é maior. Tão grande como o mar.
Talvez a folha te diga quem pendurou a Lua no céu e quem colocou as flores em água.
Que importa se foram as mesmas mãos que cavaram uma sepultura?

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