Ao longe chora-se a partida

Retiras as palavras de ti. As palavras, retiradas de ti, faltam-te, agora, porque os sentimentos ocupam o seu espaço.
Deixa que demore em ti o silêncio, ofertaste as palavras. Quisera um deus maior, rei e senhor, que as palavras fugissem, que se albergasse em ti o sentimento amargo do luto.
Tu choras por quem já não te vê chorar. És corda solta de um violino ferido.
- “Vamos uma nota mais, a música não pode findar. Só ela, a música pode a morte encantar.”
A partida é feita de pó; o teu corpo de cinzas e o Vento que se ergueu, hoje, mais alto do que a tua voz, não se pode demorar em ti: tem outras paragens e tu não o queres albergar.
- “Ergue-te como uma árvore que alguém plantou. Ainda que a dor te lembre a voz do Vento, lembra-te do deus maior, rei e senhor, que tudo comanda mas que não te pode impedir de ver pássaros que saem da Lua.
Demora-te nos teus sonhos e no escrínio da tua Alma lembra os nomes que te fazem assim.”
Ninguém parte: há cinzas do que outrora fora um corpo nos teus dedos e nas linhas das palmas das tuas mãos.
Alguém inventou outra definição de Eternidade. Hoje sei que a Eternidade é apenas um pedaço de ti, uma sombra do teu nome escrito num resto de papel…