DADIVA SEM ESPINHOS

Jamais e uma palavra forte mas necessaria porque jamais podera o Homem reduzir o papagaio a um monte de penas. Ha tanto Sentir no papagaio que nao se quer calar. E tao pouco no Humano que o quer reduzir. Para o Papagaio ha Sempre melodias que nascem no Coraçao, passam pelas arterias do Ser e sao soltas na boca, com a ternura dos labios de quem deseja abraçar com as maos do Coraçao. Onde vive o teu Ser? Habitara qual Ave em Ti? Asas de tanto querer porque nao voam pelos Ceus? Nada acaba. O Nada e muito mais. Como pode o Nada acabar se nem o Nada, pormenor, consegue o Homem Saborear? Nunca acredites no fim das coisas, questiona Sempre os limites e saberas que as penas do Papagaio sao mais belas que as penas que as vezes nascem do Nada que desvalorizas em Ti. Que se passa? Perdeu o Papagaio a Beleza porque mostra a Nudez, o Nada que nele habita e ainda sem penas continua um Papagaio Sentido ou ganhou o Homem que ja nao sabe, descalço caminhar e troca a penugem das roupas no seu dia-a-dia camuflando o Sentir? Sao Sentimentos esdruxulos, vindos do Coraçao!
Saibas que vale muito a recordaçao, seja de um Papagaio ou de um Gesto, Pedaço do Homem, quando entra no Coraçao...
Quantas vezes esquecemos de amar? Quantas vezes dificultamos o acesso a catedral que tanto custou a edificar? Aproveito todas as pedras que tu, Deus, colocas nos meus percursos e ergo hinos de Sentir nesta espiral de Sentidos que teima em me envolver. Deixo fluir o querer, dou largas ao prazer. Nada do Ser devera o Homem reprimir... Porque recalcas, Homem o teu Sentir? Nao sabes que a Vida e feita de nadas e no nada esta o bem- querer? Aprendo cada dia com a dadiva do Sentir, com um abraço perdido, num olhar encontrado, com um rosto apagado num coraçao amado... Quero-te nesta ansia de tanto querer... Quero-te como uma catedral gotica que se ergue ao ceu, como um grito que me rasga o peito e me faz agradecer cada gesto teu... Perdida no meio de tanta multidao que nada me diz. Encontrada num rosto que me faz feliz... Ha Hinos de Sentir que trago tatuados no meu Coraçao, letras escondidas no negro veu que pintou cada dedo da tua mao... Fazes esquissos dos Sentidos que trago no peito com as penas que te decoram o coraçao e arquitectas monumentos Sentidos que se elevam aos ceus e na companhia dos Anjos segredas que ha negras noites e longos dias e que nesses intervalos entre a noite e o dia estao os sentimentos que se tornaram meus... Agradecer e um gesto esquecido no degrau da catedral do Ser que so o mais sentido viver consegue alcançar... Oh, Vida sem par, gesto singular, estranha arte esta, a de Amar... Nada do que em nos vive podera jamais morrer sem ver breves instantes de prazer... Nada e pouco para alguns e muito para mim... Constroem-se catedrais, edificam-se monumentos, mas o Homem procurando anestesiar a dor, esqueceu-se do Sentimento, ja nao vive de Sentir... Onde esta Homem o teu Viver? Devolve a Magia dos Sentidos ao mundo que se sente morrer... Entoa hinos de Amor, espalha petalas pelos ceus, pinta de azul os rios e neles lava amores meus... Ah, este Amar, sem par... Este querer mais do que querer... Este abraço sentido que a catedral fez erguer... Catedral dos Sentidos, hino de Sentir...
Levas-me ate a Lua. Sinto-me dançar. Cada passo, lentamente, aceito cada dadiva, cada olhar. Vamos, aceito este caminhar, devagar... Da-me as maos deixa-me ouvir a voz do teu Coraçao... Deliciosa imagem, a tua figura! Com ela esqueço os nevoeiros tristes do Hades. Louca? Talvez. Sim, mora em mim a loucura. Loucura de viver com ansia de querer. Chamar louca a quem sente, podera ser comedia de enganos, drama de enfermos, narrativa de enredos... Ou sera pura verdade? Ilusao nas maos de quem teme soltar o Coraçao! Grito palavras ao Vento, entrego beijos nas asas de um Corvo, deixo flores na rua onde moras... Peço a Deus que pinte um Ceu para Ti, que faça nascer um Sol em cada amanhecer e que durante a noite eu te sinta bem perto de mim, como quem da abraços com o Coraçao... Saudades de quem abraça com o Sentir! Quero molhar os cabelos, Sentir a humidade invadir-me o Ser... Quero acrescentar Sabor, muita cor ao que nao desejo perder... Levas-me a Lua? Vale a pena contigo o caminho percorrer, mesmo se nao sabes o caminho, nao me importo de me perder...
Saibas que olhei para a Lua Cheia e a ela entreguei os meus pedidos. Anda, segue-me. Sabes sempre onde me encontrar: na esteira do nada, do caminhar descalço nas montanhas que cercam o mar que invade este verbo que me alenta, verbo divino: o Amar!
Ao Arquitecto das Palavras e dos Gestos
Sonho de Mulher: Imagina-te sentado nas asas de um Condor, sobrevoando magicas florestas de Sonhos... Vens ate ela como um navegante de aguas insipidas, despojado de tecidos, so com as linhas tatuadas nas arterias do teu Sentir. Fios de ouro! Ha mel bordado em cada movimento do teu Olhar, momento de eternidade... Um sorriso e cofre de Sentidos, luz, porta de chegada. Ouves o som da Harpa, sentes o sublime toque caido no teu ombro, sobre uma sepultura de pedra que outros jamais chegam a alcançar...